segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Um adendo ao tópico anterior...

Gostaria de agradecer a todos que comentaram meu último post, tanto aqui quanto pelo twitter ou outras vias de comunicação.

Falar sobre a morte sempre provoca discussões, é inevitável. Tinha comigo mais alguns comentários para fazer, mas como o post já estava grande demais optei por me segurar um pouco.

O feedback que recebi do Ricardo (está nos comentários) é extremamente interessante e faz todo o sentido. O jeito que devemos abordar esse tema é pessoal, e muitas vezes temos que “concordar em discordar” da opinião do próximo, seja ele médico, paciente ou familiar.

O oncologista não tem como ignorar a existência da morte. Como disse antes, é a maneira que cada um encara tal problema que vai interferir em muito sua relação com o paciente, em especial com o paciente terminal, mas o fato é que a morte faz parte da vida (sem nenhum paradoxo), e no meu caso em especial, do cotidiano.

Eu odeio “dar” tempo de vida. Existem colegas que “dão” 6 meses, “dão” 2 meses e por aí vai. Cheguei à conclusão que esse tempo não é meu para dar, e é exatamente isso que digo quando me pedem uma previsão. O máximo que consigo é dizer algum valor estatístico, e estatística é exatamente isso: números que falam sobre algo que já aconteceu.

Às vezes a estatística diz 6 meses, e a pessoa falece em 2. Às vezes a estatística é impiedosa e mesmo assim pessoa é teimosa, se cura e vai ganhar o “Tour de France” após uma metástase cerebral, como o herói Lance Armstrong. Já quebrei a cara muitas vezes com previsões estatísticas e sempre torço para continuar quebrando.

4 comentários:

  1. Bruno,

    Muito legal o que vc vem escrevendo. A forma como lidamos com o paciente é bem pessoal e falar de morte é um tabu muito grande dentro da nossa sociedade moderna. Se enquanto profissionais da area de saude, mesmo que dentro das estatisticas, sabemos que pouco tempo resta ao nosso paciente, mudamos o foco e procuramos oferecer para ele a melhor qualidade de vida que podemos. As vezes é dificil diante de um prognostico bem reservado não pensar que a evolução dele sera bem diferente do esperado, mas como vc dissse ... previsões estatisticas as vezes nos dão rasteiras e nos sempre agradeceremos quando isso acontecer.
    PS: E por favor nao faça como alguns colegas seus que adoram estimar o tempo de vida de um paciente ... Sempre teremos que deixa-los ciente da situaçao ... mas tempo, é algo que esta alem da nossa vã filosofia.
    Abraços!

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  2. Olá Bruno,
    Entrei por acaso em seu blog, mas gostei muito da maneira como escreve.
    Como você mesmo disse não dá para estimar tempo de vida para as pessoas.
    Meu pai é um exemplo disto. Quando descobriu que estava com cancer, o médico disse que viveria apenas dois anos e isso foi há dez anos.
    Lendo na internet descobri que o tipo de cancer que ele tem é possível viver anos sem que haja uma progressão da doença.
    Cada pessoa lida de um jeito com a doença, alguns se deixam derrotar antes mesmo de lutar.
    Outros, como ele encaram a doença, faz tratamento e segue em frente.
    Assim, descobri que cada pessoa, com suas particularidades, traz uma lição de vida para nós!!!!
    Abraço!

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  3. oi meu caro bruno tive cancer de mama fiz quimio e radio mais agora depois de tres anos senti muitas dores nas costelas fiz uma tc e acusou volumoso derrame pleural o q e isso?
    meu medico é só mrs q vem e estou anciosa pra saber se vc puder me ajudar agradeço
    solange

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  4. Ola Bruno. Adoro seus textos. Acabei meu curso medico agora e desde o inicio do curso pensei em oncologia... Queria saber tua opiniao sobre mercado de trabalho e se realmente vale a pena ainda percorrer um longo caminho de 5 anos para isso. to muito em duvida.... socorro. grata

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